Pesquisa indica que mais da metade dos brasileiros se dispõem a custear proteção da Amazônia
O levantamento, realizado com a cooperação técnica do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), entrevistou 2.200 pessoas de todas as regiões do país e mostrou que o brasileiro pagaria para preservar a Floresta Amazônica, em primeiro lugar, além dos biomas da Mata Atlântica, Caatinga e Pantanal.
Às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, a pesquisa "O que o brasileiro pensa do meio ambiente e do consumo sustentável" mostrou que a população não considera exagerada a preocupação com o meio ambiente e vai além: 82% das pessoas indicaram que não estão dispostas a ter mais progresso às custas da depredação dos recursos naturais.
Praticamente todos os entrevistados consideram importante o cuidado e a proteção do meio ambiente, destacando que este cuidado é necessário para garantir a sobrevivência e um futuro melhor para a humanidade.
Segundo a pesquisa, o desmatamento de florestas é apontado por 67% dos brasileiros como o principal problema ambiental do mundo e do Brasil. A poluição de rios, lagos e outras fontes de água (38,5%), poluição do ar (36%) e aumento do volume de lixo (28%) também foram destacados como grandes problemas ambientais.
No entanto, na prática, a população brasileira ainda apresenta hábitos predatórios ao meio ambiente e à sua própria qualidade de vida, mas aumenta a disposição para atitudes pró-ativas.
Em 1992, quando a pesquisa começou a ser feita, ano da ECO-92, os brasileiros não sabiam mencionar sequer um problema ambiental, na sua cidade ou no seu bairro. Este número diminuiu para 10% este ano, em relação aos 46% de 1992.
Dois terços desconhecem consumo sustentável
Conceitos como desenvolvimento sustentável, consumo sustentável e biodiversidade já fazem parte do repertório de quase metade da população, 47% mencionaram algum destes termos. Para 53%, o desenvolvimento sustentável está ligado a não destruição dos recursos naturais.
Mesmo assim, dois terços dos brasileiros (66 em cada 100) dizem desconhecer o que é consumo sustentável e 34% disseram apenas ter ouvido falar. Somente uma minoria de 3% apontou erroneamente que o consumo sustentável é "comprar produtos mais baratos".
O estudo apontou ainda que 56 em cada 100 brasileiros sabem o que é uma área protegida, reconhecendo que a principal função de uma área protegida é preservar as espécies vivas do bioma da região.
O estudo busca revelar os principais problemas ambientais identificados pelos brasileiros no Brasil e no mundo: como a sociedade avalia a atuação de órgãos públicos e empresas privadas na conservação ambiental, além dos hábitos de consumo, reciclagem e a disposição do brasileiro para se engajar na solução de problemas ambientais.
A pesquisa também procurou saber o que os brasileiros estão fazendo para cuidar do meio ambiente e revelou que, desde 2006, mais de 50% dos entrevistados declaravam estar dispostos a tornar-se membro de alguma organização que protege o meio ambiente. Mas efetivamente, o percentual de filiados em organizações ecológicas permanece em 1%.
Segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o estudo buscou avaliar o horizonte de duas décadas para saber a evolução do pensamento do brasileiro desde o período da Rio92. "Em 20 anos, o brasileiro deixou de desconhecer o ambiente. Há duas visões, a que existe maior acesso à informação, mas a que o meio ambiente ainda é visto como um problema. Ou seja, há uma leitura política da questão ambiental", discutiu.
O objetivo é captar como a sustentabilidade está disseminada no dia a dia do brasileiro, afirmou Izabella Teixeira, ao destacar que a incorporação de práticas sustentáveis é um instrumento para facilitar a interlocução das políticas públicas com o brasileiro.
"Há uma preocupação do brasileiro com a questão ambiental e engajamento na problemática, como por exemplo, o diálogo que existe entre a percepção de que o desmatamento é um dos maiores problemas ambientais do Brasil aliado à menor taxa de desmatamento da Amazônia da nossa série histórica".
A ministra destacou ainda que a preocupação com o consumo emergiu na pesquisa. "Começa a aparecer o debate sobre qualidade de consumo. Há uma evolução sobre engajamento e entendimento, mas não é ainda explícita a relação ao consumidor e ao cidadão pela opção por dar celeridade às soluções aos problemas ambientais".
O brasileiro, afirmou Izabella Teixeira, ainda não relaciona a sustentabilidade com a erradicação da pobreza e o desenvolvimento econômico.
"Possivelmente a Rio+20 dará um salto expressivo para fazer esta relação com a questão social e econômica. O legado da Rio+20 será muito mais abrangente sobre esse entendimento de sustentabilidade", destacou.
VEJA OS PRINCIPAIS PONTOS DESTACADOS NA PESQUISA
85% dizem estar dispostos a aderir a uma campanha para reduzir o consumo de sacolas plásticas
35% afirmam que, em suas cidades, já existem campanhas para reduzir sacolas plásticas
58% dizem não ter o hábito de levar a própria sacola ou carrinho ao supermercado
29% ainda não separam o lixo
76% dos moradores da região Sul fazem coleta seletiva de lixo, seguida pelo Sudeste (55%) e Centro-Oeste (41%)
86% estão dispostos a separar o lixo contra 78% em 2006 e 68% em 2001
76% nunca ouviram falar em empresa cidadã
66% dizem desconhecer o que é consumo sustentável
81% dispostos a comprar produtos orgânicos frente a 73% em 2001
61% consideram o governo estadual o responsável por cuidar dos problemas ambientais
Fonte: UOL
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