Com apoio da Eletrobras Eletronuclear, brigadistas ecológicos ajudam preservação de Ilha Grande



Tentar conscientizar os cerca de 360 mil turistas que chegam, por ano, à Ilha Grande sobre a importância de se preservar o local. Esse é um dos papeis dos 42 adolescentes que fazem parte da Brigada Mirim Ecológica da Ilha Grande, projeto que conta com apoio da Eletrobras Eletronuclear. No total, 700 meninos e meninas já passaram pela brigada ao longo dos seus 23 anos de existência.


Os brigadistas orientam os turistas sobre a preservação do meio ambiente tirando dúvidas e distribuindo panfletos e sacolas de papel para a deposição do lixo. Além disso, realizam mutirões para coletar resíduos, trazidos pelo mar ou deixados pelos visitantes, nas praias mais distantes.

Para se qualificar, os jovens participantes da brigada fazem cursos profissionalizantes de educação ambiental, segurança do trabalho, empreendedorismo e tecnologia da informação. As aulas são ministradas na sala de informática da sede da instituição, cujos computadores também são usados para fazer pesquisas para trabalhos escolares.

Os jovens estudantes também têm aulas em uma fazenda marinha mantida pela brigada, localizada na praia da Vila do Abraãozinho. Com apoio da Eletronuclear, por meio da Assessoria de Responsabilidade Socioambiental (ARS.P), eles aprendem técnicas de manejo para a produção do coquille Saint-Jacques (também conhecido como vieira), uma espécie de molusco nativo da costa brasileira.

Adicionalmente, recebem aulas de biologia marinha e são monitorados por um biólogo do Instituto de Ecodesenvolvimento da Baía da Ilha Grande (Ied-Big), que já doou 50 mil sementes do coquille para a fazenda. O Ied-Big é pioneiro na difusão do cultivo do molusco no Brasil, dando apoio aos pescadores e maricultores da região. Graças à atuação da entidade – que também conta com apoio da Eletronuclear –, essa atividade se tornou uma importante fonte de renda na Costa Verde.

Aprendizado

Há três anos na brigada, Beatriz Correa, de 16 anos, quis ser brigadista para aprender mais sobre as questões ambientais, mas diz que seu aprendizado foi muito além. "Eu acabei aprendendo bem mais do que pensava. Aprendi a conviver melhor com as pessoas, a aconselhar os turistas para que eles não sujem a ilha e a criar o coquille", relata a adolescente, que mora há 13 anos na Vila do Abraão e pretende cursar a
faculdade de enfermagem.

As atividades da brigada são realizadas de quarta a sexta-feira, no contraturno escolar, e aos sábados e domingos, de manhã ou à tarde. Os brigadistas recebem bolsa mensal de R$ 312,00 e cumprem carga horária de 3h por dia.

A sede do projeto está localizada na Vila do Abraão, que é o local de Ilha Grande mais popular entre os turistas. Mas os brigadistas também podem ser encontrados em pontos localizados em seis praias da ilha: Araçatiba, Saco do Céu, Lopes Mendes, Dois Rios, Maguariqueçaba e Praia da Longa.

Desempenho escolar

Para se tornar brigadista e continuar no grupo, além de ter entre 14 e 17 anos, o jovem morador de Ilha Grande precisa ter um bom desempenho escolar. "É preciso ter boas notas na escola, e não se pode repetir a série. Caso isso aconteça, o brigadista perde a vaga", alerta o supervisor Rodrigo Chagas.

Hoje com 32 anos, Rodrigo tem uma longa relação com a brigada, tendo ingressado no grupo ao completar 14 anos. Anos depois, quando surgiu a oportunidade de se tornar supervisor, ele não pensou duas vezes. Para ele, além de significar uma possibilidade de permanecer em Ilha Grande, o trabalho na brigada é gratificante. "É muito bom ver as crianças da ilha valorizarem a brigada. Logo que completam 14 anos, já querem se
inscrever. Temos até fila de espera", ressalta o nativo da Vila do Abraão. 

Mas não são apenas os jovens de Ilha Grande que reconhecem o trabalho da Brigada Mirim Ecológica. Os moradores mais antigos também percebem os benefícios dos jovens guardiões do meio ambiente. "Eu gosto do trabalho dos brigadistas porque eles ajudam a preservar a ilha. Inclusive, tenho uma neta que foi da brigada", frisa Maria Adeline de Souza, de 78 anos, que há 27 mora na Vila do Abraão.

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